A proteção contra descargas atmosféricas é um dos aspectos mais importantes da segurança elétrica em instalações industriais. Em regiões com alta incidência de raios, como ocorre em grande parte do território brasileiro, a presença de um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) bem projetado e mantido é fundamental para proteger estruturas, equipamentos e pessoas.
Entretanto, apenas instalar um sistema de proteção não garante que ele funcione corretamente ao longo do tempo. Em muitos casos, falhas de projeto, instalação inadequada ou ausência de manutenção comprometem o desempenho do SPDA. Como consequência, a instalação pode permanecer vulnerável aos efeitos diretos ou indiretos das descargas atmosféricas.
Por essa razão, conhecer as falhas mais comuns em sistemas de SPDA em ambientes industriais ajuda gestores e profissionais da área elétrica a identificar riscos e adotar medidas preventivas antes que ocorram danos à infraestrutura elétrica.
Por que sistemas de SPDA são essenciais em ambientes industriais
Instalações industriais normalmente possuem grande quantidade de equipamentos elétricos, sistemas de automação e estruturas metálicas. Além disso, muitas fábricas operam com processos contínuos que não podem sofrer interrupções inesperadas.
Quando uma descarga atmosférica atinge diretamente uma estrutura ou ocorre nas proximidades da instalação, diversos efeitos podem surgir. Entre eles estão sobretensões, correntes de grande intensidade e campos eletromagnéticos capazes de danificar equipamentos eletrônicos sensíveis.
O SPDA tem justamente a função de interceptar a descarga atmosférica, conduzir a corrente até o solo e dissipar essa energia de forma segura. No entanto, para que esse processo funcione corretamente, todos os elementos do sistema precisam estar em conformidade com normas técnicas e em bom estado de conservação.
Caso contrário, o sistema pode não cumprir sua função quando mais for necessário.
Principais falhas encontradas em sistemas de SPDA industriais

Em inspeções técnicas realizadas em instalações industriais, algumas falhas aparecem com maior frequência. Muitas delas estão relacionadas a problemas de instalação, deterioração de componentes ou alterações estruturais na edificação ao longo do tempo.
A seguir estão algumas das falhas mais comuns identificadas em sistemas de proteção contra descargas atmosféricas.
Ausência de projeto atualizado do SPDA
Uma das falhas mais recorrentes em ambientes industriais é a ausência de um projeto atualizado do sistema de proteção contra raios.
Com o passar dos anos, muitas empresas ampliam galpões, instalam novos equipamentos ou realizam modificações na estrutura da planta. Entretanto, essas alterações nem sempre são acompanhadas por uma revisão do projeto do SPDA.
Como resultado, partes da edificação podem ficar fora da área de proteção prevista originalmente. Dessa forma, certos pontos da instalação tornam-se mais vulneráveis à incidência direta de descargas atmosféricas.
Por esse motivo, sempre que houver mudanças significativas na estrutura da planta industrial, é recomendável revisar o projeto de proteção contra raios.
Captores instalados de forma inadequada
Os captores são os elementos responsáveis por interceptar a descarga atmosférica. Eles podem ser constituídos por hastes, cabos ou sistemas de captação específicos.
Quando esses elementos são instalados em posições inadequadas, a eficiência da proteção pode ser comprometida. Isso ocorre, por exemplo, quando a altura dos captores não é suficiente para proteger determinadas áreas da estrutura.
Além disso, em algumas instalações industriais, novos equipamentos ou estruturas metálicas acabam sendo posicionados acima da zona de proteção do sistema existente. Nessas situações, a proteção deixa de ser efetiva para esses pontos elevados.
Portanto, o posicionamento correto dos captores é fundamental para garantir a eficiência do sistema.
Conexões elétricas deterioradas
Outro problema frequentemente identificado em inspeções de SPDA é a deterioração das conexões elétricas.
O sistema de descida que conduz a corrente do raio até o solo depende de conexões firmes e bem fixadas entre condutores, suportes e estruturas metálicas. Entretanto, fatores como umidade, corrosão e vibrações mecânicas podem comprometer essas conexões ao longo do tempo.
Quando ocorre perda de contato ou aumento da resistência elétrica nesses pontos, a corrente da descarga atmosférica pode encontrar dificuldades para se dissipar corretamente. Em casos extremos, isso pode causar aquecimento excessivo e danos aos condutores.
Por essa razão, inspeções periódicas são essenciais para verificar a integridade das conexões do sistema.
Falhas no sistema de aterramento
O sistema de aterramento é responsável por dissipar no solo a corrente conduzida pelo SPDA. Portanto, sua eficiência é essencial para o funcionamento adequado do sistema.
Em ambientes industriais, algumas falhas comuns relacionadas ao aterramento incluem:
- corrosão de hastes de aterramento
- conexões deterioradas entre condutores e eletrodos
- aumento da resistividade do solo ao longo do tempo
- rompimento de condutores enterrados
Esses problemas podem aumentar significativamente a resistência de aterramento da instalação. Como consequência, a dissipação da corrente da descarga atmosférica torna-se menos eficiente.
Além disso, valores elevados de resistência podem gerar diferenças de potencial perigosas entre partes metálicas da estrutura.
Falta de equipotencialização adequada
A equipotencialização é um princípio importante na proteção contra descargas atmosféricas. Ela consiste na interligação elétrica de diferentes partes metálicas da instalação para evitar diferenças de potencial durante a ocorrência de um raio.
Em ambientes industriais, existem diversas estruturas metálicas, tubulações, suportes e equipamentos que precisam estar conectados ao sistema de equipotencialização.
Quando essa interligação não é realizada corretamente, podem surgir tensões perigosas entre diferentes partes da instalação durante uma descarga atmosférica. Isso aumenta o risco de centelhamentos, danos a equipamentos e acidentes.
Portanto, a verificação da equipotencialização deve fazer parte das inspeções técnicas do SPDA.
Ausência de inspeções e manutenção periódica
Mesmo quando o sistema de proteção foi projetado corretamente, a falta de manutenção pode comprometer sua eficiência ao longo do tempo.
Componentes do SPDA ficam expostos a fatores ambientais como chuva, radiação solar, umidade e variações de temperatura. Como consequência, condutores podem sofrer corrosão, suportes podem se soltar e conexões podem se deteriorar.
Sem inspeções periódicas, esses problemas podem passar despercebidos por longos períodos.
A realização de inspeções técnicas permite identificar falhas antes que ocorram descargas atmosféricas capazes de causar danos à instalação.
Impactos das falhas de SPDA na operação industrial
Falhas em sistemas de proteção contra raios podem gerar consequências significativas para instalações industriais.
Entre os principais impactos possíveis estão:
- danos a equipamentos elétricos e eletrônicos
- interrupções na produção
- falhas em sistemas de automação
- prejuízos financeiros associados à parada de processos
- riscos à segurança de trabalhadores
Além disso, surtos elétricos provocados por descargas atmosféricas podem afetar sistemas sensíveis, como inversores de frequência, controladores industriais e equipamentos de tecnologia da informação.
Por isso, manter o SPDA em condições adequadas de funcionamento é uma medida importante para garantir a continuidade operacional da empresa.
A importância das inspeções técnicas em sistemas de SPDA
Para evitar falhas e garantir que o sistema continue operando conforme o esperado, a realização de inspeções técnicas periódicas é fundamental.
Durante essas inspeções, profissionais especializados avaliam diversos aspectos do sistema, incluindo:
- estado de conservação dos captores
- integridade dos condutores de descida
- condição das conexões elétricas
- continuidade elétrica do sistema
- desempenho do sistema de aterramento
Além disso, medições específicas podem ser realizadas para verificar a resistência de aterramento e identificar possíveis irregularidades.
Essas avaliações ajudam a garantir que o sistema esteja em conformidade com as normas técnicas aplicáveis e preparado para atuar corretamente em caso de descargas atmosféricas.
Conclusão

Os sistemas de proteção contra descargas atmosféricas desempenham um papel essencial na segurança das instalações industriais. No entanto, sua eficiência depende da correta instalação, do projeto adequado e da manutenção periódica.
Falhas como conexões deterioradas, problemas no aterramento, ausência de equipotencialização e falta de inspeções técnicas podem comprometer o funcionamento do SPDA. Como consequência, estruturas e equipamentos podem ficar expostos aos efeitos das descargas atmosféricas.
Dessa forma, realizar avaliações técnicas periódicas e manter o sistema atualizado conforme as normas técnicas é uma prática fundamental para reduzir riscos e garantir a proteção adequada da infraestrutura industrial.
Consultoria gratuita para avaliação de SPDA em ambientes industriais
Se sua empresa possui estruturas industriais, subestações ou instalações elétricas expostas a descargas atmosféricas, é fundamental garantir que o sistema de proteção esteja funcionando corretamente.
A Manaú Engenharia oferece consultoria técnica gratuita para avaliação de sistemas de SPDA em ambientes industriais. Nossos especialistas podem analisar a condição do sistema, identificar possíveis falhas e orientar sobre melhorias necessárias para aumentar a segurança da instalação.
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Referências
- ABNT. NBR 5419: Proteção contra descargas atmosféricas. Associação Brasileira de Normas Técnicas.
- INPE. Descargas Atmosféricas no Brasil. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
- IEC. IEC 62305 – Protection against lightning. International Electrotechnical Commission.
- IEEE. Guide for Lightning Protection of Industrial and Commercial Buildings. Institute of Electrical and Electronics Engineers.
- NFPA. NFPA 780 – Standard for the Installation of Lightning Protection Systems. National Fire Protection Association.




